Pesquisar este blog

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sexo e Sabor






Começando a série sobre sexo e os cinco sentidos vamos falar de paladar. Vocês já perceberam o quanto sabores são relevantes no bom sexo? O primeiro termômetro de uma relação é o gosto, o beijo. Se ele é ruim, se não existe química, dificilmente a relação vai em frente. A boca é o primeiro orgão sensorial do bebê. Preste atenção em uma criança pequena e veja que ela leva tudo à boca. É dela também que vem sua primeira relação de afeto: a amamentação. E por ela que o bebê obtém prazer seja por sugar o peito ou a chupeta.
Quando adulto o paladar continua exercendo grande influência, não é a toa que muitos encontros começam com um jantar! Comer é parte do processo de sedução. O prazer da mesa, as expressões, os sabores e cheiros envolvidos. E muitas mulheres perdem esse momento pela paranóia da ditadura da dieta. Não façam isso meninas! Se você realmente precisa fazer dieta, não escolha começar no primeiro encontro! Coma com prazer e escolha comidas sensuais, com molhos cremosos e visualmente atraentes.
Existe uma enorme polêmica sobre as chamadas comidas afrodisíacas. Ainda que sejam de conhecimento milenar, a ciência jamais comprovou sua eficácia. No entanto, se não sabemos realmente a capacidade afrodisíaca de ostras ou amendoim, sabemos com certeza que determinados alimentos estimulam a fantasia...e comer com os olhos também tem um papel fundamental no sexo. Então abuse de chocolates, morango, champagne, chantily...
Você não precisa fazer uma orgia gastronômica, nem abusar dos alimentos, a ideia aqui é brincar com os sabores. Alimente seu parceiro. Partilhe os sabores. Use o corpo dele e permita que ele use o seu como tela. Misture o gosto da pele com chocolate derretido e lamba. Depois se divirtem num banho a dois e descubram o sabor de pele limpa. O que vale aqui é seduzir e brincar.
E como não podemos deixar de falar em sexo seguro abuse das camisinhas aromatizadas que são próprias para sexo oral. Inclusive existem versões coloridas e podem ser uma brincadeira divertido. Para os meninos que gostam de meninos além das camisinhas outra boa pedida são os lubrificantes com sabor.
Mordisque, prove, lamba, sugue, seduza, beije. Use e abuse de sua boca e descubra o que lhe dá prazer. Explore sem pressa, sem hora marcada. Tirem um dia só para explorar essa fonte de prazer, voltem a adolescência e proponham um jogo onde só a boca pode ser usada, vocês verão como pode ser divertido, sensual e estimulante.



terça-feira, 30 de março de 2010

A tênue linha do erotismo







A linha que divide erotismo de pornografia é muito tênue. E quem determina de que lado algo está? Nos meus textos o que eu busco é despertar, gosto de escrever para ser lida com mais do que os olhos, meus textos, ainda que em duas dimensões e restritos a tela do computador, querem mexer com outros sentidos. Eu quero que meu leitor sinta os cheiros, escute os sons, imagine a textura da pele, sinta o sabor...Costumo dizer que escrevo contos sensoriais.

E quanto a linha entre erótico e pornográfico? Dizem que erótico é o que eu leio e pornográfico o que o vizinho lê! Mas, sem brincadeiras, na minha concepção o erótico desperta e a pornografia muitas vezes cansa. Se torna repetitiva e como uma droga você precisa de cada vez mais para ter o mesmo efeito. O contrário se dá com o erótico. Por que seu objetivo não é queimar como fogueira, mas aquecer como brasas.

A parte mais difícil de quem escreve é encontrar o tom certo, a palavra exata. E confesso que esse é meu maior medo. Como escrever algo quente e ao mesmo tempo não ser vulgar? E como não ser vulgar e também não transformar sua história em um tratado de anatomia? Pênis, vagina, vulva são palavras tão técnicas, tão frias. E no entanto seus correlatos chulos são tão chulos que você corre o risco de perder o leitor no primeiro “pica” ou “boceta” que escrever. E aí encontrar essa linha do meio sem se tornar ridículo é muito difícil, por que “mastro incandescente” também não é exatamente uma figura que desperte desejo....e juro, já li muitas descrições assim.

Esse é um espaço para quem aprecia o erótico. Eu fugirei sempre que possível da pornografia crua, mas não prometo que vocês não verão um palavrão ou outro ao longo dos meus textos. Por que ninguém é tão educadinho assim na cama e, se é, precisa aprender a não ser. Por que sexo é vital e é feito com muito mais que apenas órgãos entre as pernas, é feito de sons, cheiros e palavras. Então sejam bem vindos a esse espaço, explorem, comentem, mandem suas sugestões. Além dos contos também serão publicadas dicas de leitura, de filmes, textos de outros autores (inclusive o seu, que me lê agora, caso você queira se aventurar) e qualquer outra coisa que se encaixe nesse universo.

A ideia é fazer desse espaço o mais interativo possível. Fique a vontade e delicie-se!

No Escritório (Parte 2)



Leia a Parte 1 AQUI





Qualquer minuto soava bem mais promissor que três dias. Aliás três dias soava muito ruim. Totalmente inaceitável.

"Eu não posso ficar aqui três dias!"

“Bem, então reclame com a companhia de energia elétrica! Eu não posso consertar o sistema com ele trabalhando em força mínima e ele não vai voltar ao normal enquanto a energia não for restabelecida!”

Pela primeira vez, Marcos pareceu realmente irritado com a situação. Luís tentou ficar tranquilo. Realmente não era culpa do chefe da manutenção se a cidade estava as escuras.

“O que nós vamos fazer até lá?”

Um sorriso positivamente indecente deslizou rápido de volta.

“Eu tenho certeza que a gente pode pensar em algo...agradável para passar o tempo.”

Ele estava paquerando? O Sr. Alto, bonito, moreno e sexy estava realmente paquerando com ele? Luís decidiu ignorar a fala. Suas tentativas de paquera sempre terminaram em confusão e ter Marcos zangado, trancado naquele prédio não era exatamente a sua ideia de distração.

“Não existe uma maneira de sairmos daqui?”

Marcos se levantou da cadeira, Luís poderia ter achado o andar de gato predador muito sexy, se sua mente não estivesse agitada demais para perceber.

“Você está muito....agitado”

Só então Luís percebeu que Marcos estava próximo, muito próximo. Próximo demais para um homem hétero em uma situação como essa. Recuando um passo, em busca de equilíbrio e de ar, Luís buscou confirmação naquele rosto.

“Você está.....”

Um sorriso largo e muito divertido espalhou pelo rosto moreno.

“Paquerando? Perguntando? Propondo? Há mais ou menos um mês. Eu estava começando a achar que tinha me enganado sobre você.”

Marcos deu mais um passo a frente e Luís recuou de novo, mas suas costas encontraram a parede. De repente a sala pareceu pequena e abafada. Marcos se inclinou em direção a ele, as mãos uma de cada lado do seu corpo, apoiadas na parede e ocupando todo o espaço disponível. Respirar ficou difícil e exigiu demais de sua concentração, quando a mão direita de Marcos deixou a parede e e fechou, firme e quente em sua nuca, qualquer tentativa de respirar deixou de ser uma preocupação.

“Eu teria apagado as luzes eu mesmo, se soubesse que resolveria.”

Luís podia sentir o hálito quente junto ao seus pescoço e então uma mordida perto do colarinho. A sensação da barba por fazer arranhando sua pele sensível, o cheiro suado, macho e a língua pervertida que desenhou um caminho molhado até sua orelha eram demais para resistir. Ele puxou Marcos em sua direção. Um gemido gutural e quente explodiu em sua orelha, antes de Marcos se debruçar , apertando seus corpos juntos, deslizando suas virilhas em um movimento hipnótico e sedutor. Sua boca foi invadida, tomada. Ele nunca foi beijado assim. Aliás ele nunca foi muito fã de beijos. Mas aquilo era mais que um beijo, era uma possessão.

Marcos assaltou, invadiu, perseguiu, tomou. Sua língua empurrou e exigiu passagem. E Luís bebeu no gosto limpo, quente, intenso. Era sedução, pura sedução. Suas mãos arrancaram aquela maldita camiseta que tinha feito parte de seus devaneios o dia inteiro e descobriram pele morna e músculos duros. Uma das mãos de Marcos deixou sua nuca e agarrou seu traseiro, puxando os dois juntos, esfregando, moendo.

Luís estava duro, pesado, quente. A necessidade para tocar, ser tocado, algo, qualquer coisa era intensa demais. Dormir com um colega de trabalho era uma péssima ideia. Fazer isso na sala de manutenção era ainda pior. Mas quando a mão de Marcos deslizou entre seus corpos apertando duro contra seu pênis, trabalho e medo eram ideias muito distantes. O som do zíper era alto no silêncio da sala, a mão quente e calosa invadiu pelo tecido de sua cueca, buscando, querendo e finalmente encontrando. Ele saltou, duro, quente e necessitado na mão de Marcos.

“Tão duro, bebê, tão quente.”

Quente, sim, muito quente. Seus quadris buscaram fricção, suas mãos em um aperto de morte no traseiro de Marcos, querendo mais, exigindo mais, pedindo. Sem lhe soltar, Marcos usou a outra mão para abrir sua própria calça. Em segundos a pele lisa e aveludada estava junto da sua. Luís gemeu a sensação primorosa de seus pênis deslizando junto.

“Não pare!” Isso era sua voz? Um sussurro ofegante?

“Não se preocupe, menino, não vou parar.”

Ele podia sentir cada dedo envolvendo sua carne, o polegar brincando com a cabeça, espalhando o líquido quente entre eles, ajudando na fricção, aumentando o prazer. Ele moveu mais rápido, querendo, precisando de alívio. A outra mão de Marcos agarrou de novo seu traseiro, descolando-o da parede e deslizou passando o cós da calça. A palma quente em contato com a carne firme e redonda, um dedo aventureiro explorando a racha entre elas.

E então toda a sensação era demais. Uma bola quente de luxúria se instalou em sua barriga, dolorosa e necessitada. Luís moveu aos arrancos moendo seus pênis juntos, precisando de toda a fricção possível e com um gemido alto deixou que o prazer tomasse conta. Segundos depois ainda tonto, ele sentiu o calor líquido de Marcos juntar-se ao seu, enquanto o corpo forte estremecia com alívio.

Ele oscilou lá um minuto, piscando, estúpido com os pequenos choques que ainda percorriam seus corpo. Marcos arquejou, respiração úmida contra seu pescoço.As luzes piscaram tentando voltar, e ele fechou seus olhos contra elas. Ele não estava pronto. Rindo, Marcos o arrastou mais íntimo, mãos em baixo de seu traseiro. O homem puxou ele junto e começou a andar

"Onde nós estamos indo?"

"Em algum lugar com um quarto, assim que eu conseguir tirar nós dois daqui."

"Alguém já diz a você que você é insistente?"

E quente como o inferno.

“Eu prefiro persistente, enfocado.”

Um beijo, agora mais suave e doce terminou com uma mordida em seu queixo.

“E você vai ter tempo de descobrir o quanto eu sou persistente, assim que eu nos tirar daqui.”

Deixando Luís ainda ofuscado, Marcos sentou de novo em frente aos computadores, pronto a fazer sua mágica.

Eles estavam úmidos, suados e melados e Marcos parecia pronto para começar tudo de novo. Bem, não é que aquela semana parecia estar ficando melhor a cada momento?







segunda-feira, 29 de março de 2010

Carta de Rick Martin


Eu não gosto do termo "assumir a homossexualidade", parece que existe algo de sujo ou vergonhoso que precisa ser assumido, como uma culpa. Mas é inegável que sair do armário exige uma dose enorme de coragem. É ir contra um padrão de comportamento, é ser diferente. E quando você é uma pessoa pública, que usa de sua imagem para povoar o imaginário de milhões de meninas mundo a fora isso é algo ainda mais perigoso. Confesso, eu curti Menudos. Era adolescente na época e Rick era da formação que mais sucesso fez no mundo. Não era meu predileto, eu preferia o Robbie Rosa, por ser a cara de um primo por quem eu tinha uma paixonite...história para outro dia, mas a cara de menino travesso era de derreter qualquer coração.
Quando ele ressurgiu anos depois com Livin La Vida Loca tinha o diabo nos quadris, como diria minha mãe.
Hoje ele saiu do armário. Imagino eu que cansado de viver uma vida pela metade, com medo de flash, paparazzos e afins. Merece um destaque a bela e comovente carta que ele escreveu. Como ele mesmo diz, não dá para saber o que vai acontecer daqui para a frente ou o peso que essa revelaçao terá na sua carreira, mas Rick tomou um gigantesco passo nesse mundinho preconceituoso e tacanho que vivemos. E isso já vale muito.
Uma outra matéria sobre o assunto que eu recomendo: Frame40Graus
Na íntegra, traduzida, a carta que ele deixou em seu site oficial:

"Nos últimos meses me dediquei à tarefa de escrever minhas memórias. Um projeto que , como eu já sabia ,seria realmente importante para mim, pois desde que escrevi a primeira frase me dei conta que esta seria a ferramenta que me ajudaria a me libertar de coisas que vinha carregando há muito tempo. Coisas que pesavam demais. Escrevendo este minucioso inventário de minha vida, fiquei mais perto das minhas verdades. E isto é algo que quero comemorar.

Se existe um lugar que me preenche e estremece minhas emoções, este lugar é o palco, o meu vício. A música, o espetáculo, o aplauso, estar diante de um público, me faz sentir que sou capaz de qualquer coisa. É um tipo de adrenalina, de euforia, que não quero que deixe de correr por minhas veias jamais. Se você, o público e a musa me permitirem, espero continuar nos palcos por muitos e muitos anos. Mas hoje a serenidade me leva a um lugar muito especial, de reflexão, compreensão e muita iluminação. Me sinto livre! E quero compartihar.

Muita gente me disse que não era importante fazê-lo, que não valeria a pena, que todo o trabalho e tudo o que construi entraria em colapso.Que muitos neste mundo não estariam preparados para aceitar minha verdade, minha natureza. E como esses conselhos vinham de pessoas que amo loucamente, decidi seguir adiante com minha 'quase verdade'. Muito errado. Deixar-me seduzir por meu medo foi uma verdadeira sabotagem à minha vida. Hoje me responsabilizo por completo de todas as minhas decisões e todos os meus atos.

E se me perguntarem hoje, 'Ricky, do que você tem medo?' eu responderia - 'do sangue que corre pelas ruas dos países em Guerra, da exploração sexual infantil, do terrorismo, do cinismo de alguns homens poderosos, do sequestro da fé. ' Mas medo da minha natureza, da minha verdade? Nunca mais! Ao contrário, elas me dão força e coragem. É o que necessito para mim e para os meus, ainda mais agora que sou pai de duas criaturas que são seres de luz. Tenho que estar a altura delas. Seguir vivendo como fiz até hoje, seria ofuscar indiretamente esse brilho puro com o qual meus filhos nasceram. CHEGA! AS COISAS PRECISAM MUDAR! Estou certo de que isso não teria acontecido há 5 ou 10 anos. Mas está acontecendo agora. Hoje é meu dia, este é meu tempo, meu momento.

O que vai acontecer a partir de agora? Quem sabe. Só posso me focar no que estou vivendo agora. Estes anos de silêncio e reflexão me fortaleceram e me fizerm lembrar que o amor vive dentro de mim ,que a aceitação é o encontro com meu interior e que a verdade sempre traz paz. Hoje para mim o significado de felicidade toma outra dimensão.

Foi um processo muito intenso, angustiante e doloroso, mas também muito libertador. Juro pra vocês que cada palavra que vocês estão lendo aqui nasce do amor, da purificação, da força, da aceitação e do desprendimento. Que escrever essas linhas é a conquista da minha paz interior, parte vital da minha evolução. Hoje ACEITO MINHA HOMOSSEXUALIDADE como um presente que a vida me deu. Me sinto abençoado por ser quem sou!

R.M."


No Escritório (Parte 1)

Parte 2 AQUI



Era um fim de noite terrível, de um semana igualmente terrível. Luís estava exausto, de mau humor e com mais trabalho do que poderia executar antes do fim do expediente. Ser interrompido pelo chefe de manutenção dos computadores era só mais um item em seu aborrecimento. Não que Marcos fosse um sujeito aborrecido. Aliás, exatamente por que ele não era um sujeito aborrecido. Veja bem, seria muito mais simples se ele não vestisse sempre aquele sorriso irritantemente largo. Ou se ele não ficasse tão bem naquela calça jeans demoniacamente apertada e principalmente se ele não estivesse naquele momento curvado contra a mesa em busca de seja lá qual fio estava causando seu problema. Ou se a camiseta, que Luís tinha certeza era dois números menores que o decente, não estivesse escapando da calça e expondo uma fatia de pele morena bem junto ao topo de seu traseiro. Sim, definitivamente aquela era a pior parte. E se Luís não arrumasse algo para se distrair rápido, ele estaria em uma situação potencialmente embaraçosa.

Ele exalou aliviado quando Marcos pareceu achar o fio ofensivo e endireitou o corpo. Um alívio multiplicado quando a maldita camiseta voltou ao seu lugar e o tentador pedaço de pele foi escondido. Com o sorriso largo de sempre, Marcos deixou a sala depois de explicar que o problema era apenas uma conexão mal encaixada. Obrigando sua mente errante a esquecer o quanto aquele traseiro pareceu tentador em calça jeans apertada, Luís voltou ao projeto que tinha que entregar na segunda-feira. Seria um longo serão nesse fim de semana. Um que ele não tinha nenhuma ideia de como seria longo...

Muitas horas depois, uma dor nas costas o obrigou a abandonar o teclado por alguns minutos. Como sempre, seus pensamentos eram rapidamente desviados para o chefe da manutenção. Ele nunca teve um gaydar muito afinado. Aliás, segundo seus amigos ele tinha algum defeito de fabricação e era o único gay do mundo incapaz de reconhecer outro! Suas tentativas nesse campo eram lendariamente fracassadas e invariavelmente resultavam em situações embaraçosas. O que tinha limitado suas opções a amigos de amigos, em encontros cegos que eram sempre desastrosos ou a boates e clubes que o deixaram cético e cansado. Sexo era fácil. Mas sexo fácil, depois de algum tempo cansa.

Ele tentou voltar ao maldito relatório, mas as 14h de trabalho estavam cobrando seu preço. Ele precisava comer e dormir, não necessariamente nessa ordem. Antes que ele pudesse ser capaz de salvar seu trabalho e transferi-lo para a pendrive a luz do edifício piscou. Depois de alguns segundos, as luzes de emergência se acenderam lançando um espectro fantasmagórico no ambiente. Bem, pense numa semana realmente ruim. O olhar para o relógio revelou que eram quase dez horas. As chances de ainda haver alguém da manutenção no prédio eram mínimas o que significava que seu relatório estava perdido dentro do computador e que não haveria o que ser entregue na segunda-feira. Recusando-se a pensar nesse desastre iminente e cobrando seus últimos resquícios de fé, Luís deixou o escritório em busca de ajuda. Só depois de chegar ao elevador e não obter resposta, sua mente cansada lembrou que o prédio inteiro era controlado por um sistema computadorizado. Sem energia, apenas os serviços básicos funcionavam, o que significava nada de elevador e pior, a chave eletrônica que abria seu escritório também estava fora do ar e ele havia acabado de estar trancado fora dele e sem acesso a qualquer dos documentos que precisava. Essa semana parecia ficar pior a cada momento.

Ainda afundando em piedade própria e sem saber o que fazer nos próximos minutos, Luís levou um susto ao perceber que não estava sozinho no corredor. Marcos claro. Definitivamente seu dia não tinha mais espaço para piorar.

“Eu pensei que era o único trabalhando nessa hora indecente, Luís.”

E então, seu cavaleiro em calça jeans e camiseta branca sorriu e piscou. Esse homem tinha a ousadia de fazer piada com essa situação?

“Marcos, eu realmente não estou no clima para fazer piadas. Meu trabalhosestá perdido dentro do computador, meu escritório está trancado e o elevador não funciona. Eu tenho uma apresentação na segunda e não terei como fazer por que o maldito relatório foi engolido por esse prédio e sua maldita tecnologia moderna que nunca funciona quando deve!”

Apesar da explosão, Marcos nem ao menos piscou e seu sorriso não deslizou um milímetro.

“Acalme-se, eu vou cuidar dessa situação agora mesmo e antes de você perceber nós teremos tudo em controle e seu relatório estará a salvo”

Era uma fala otimista e Luís se agarrou a ela como um náufrago em uma tempestade. Ele seguiu Marcos até a sala da manutenção e esperou impaciente enquanto o moreno fazia sabe-se lá que mágica com os computadores. Uns dez minutos depois Luís começou a ficar impaciente e irritado.

“Isso vai demorar muito?”

Marcos desviou a vista da tela escurecida do sistema e recostando na cadeira, lançou um olhar misto de sarcasmo e diversão:

“Bem, depende do que você chama de demorar. Na verdade o sistema inteiro está fora do ar.”

“Então conserte, oras. Não é isso que você faz?”

Seu tom belicoso não pareceu afetar em nada ao outro homem.

"Eu sinto muito informar você, mas eu ainda não aprendi a fazer milagres. O sistema está fora do ar."

O que significa isso?"

"Significa que nós estamos presos aqui até que consiga consertá-lo. O que pode ser a qualquer minuto ou daqui a três dias."

Parte 2 AQUI

quinta-feira, 25 de março de 2010

Não me tente...



O porteiro fez sinal para o táxi. Eu avancei enquanto o carro se aproximava do meio fio. Minha revista de Moda era um substituto pobre para um guarda-chuva, mas teimosamente eu a mantive apertada para o meu cabelo. As coisas podiam ficar piores? A companhia aérea perdeu minha bagagem. E eu estava atrasada para o meu encontro. E estava nublado e chovendo.

Merda.

A única coisa boa é que meu quarto de hotel estava pronto. Muito ruim eu não podia pagar pelo hotel cinco estrelas onde minha o jantar de negócios estava marcado para acontecer. Salvar meu cabelo e evitar a aparência de gato molhado teria sido bom

Conseguir aquele táxi tinha sido um golpe de sorte. O porteiro movimentou a cabeça e abriu a porta de táxi, e eu corri pela chuva. Na mesma hora que eu entrei a porta oposta abriu, e eu vi um homem em um terno preto deslizar do lado de dentro.

O porteiro bateu a minha porta e o táxi arrancou.

Eu olhei fixamente de mal humor no intruso. “Você é abusado. Esse táxi é meu.” Ele encolheu os ombros. “Parece que nós estamos compartilhando.” Maravilhoso. Eu me debrucei em direção ao motorista e dei o endereço do Hotel.” Leve-me lá primeiro. Eu não me importo onde este idiota está indo.”

“Este idiota tem um nome. É Raul.”

Eu dei um olhar lateral e de maneira infantil fiz uma careta. Então virei o rosto para acompanhar a chuva que batia contra a janela. “Eu não me importo nem se o seu nome fosse George Clooney. Você é um idiota.”

Ele falou com o motorista de táxi. “Leve a dama primeiro, eu não tenho pressa.”

Eu não quis olhar para ele, mas eu fiz. “Isto é absurdo, você não podia…”

“Eu podia.”

Eu voltei a examinar o desenho de pingos de chuva na janela.

“Você tem uma língua bonita.”

Eu revirei meus olhos. Sim, novamente numa atitude infantil que a imagem no vidro não podia esconder. Percebi que ele me observava pelo reflexo e notei pela primeira vez sua aparência. Cabelo castanho e rebelde que ele tentou domar, olhos claros num tom indefinido de bronze, corpo bem ajustado e completamente a vontade no terno. Bonito. Não de uma maneira clássica, mas de um jeito um tanto perigoso. Adoro perigo.

“Muitas pessoas acham também”

Sim, eu estava flertando com o perigo. É algo que raramente consigo resistir.

Sr. Idiota deslizou mais próximo de mim. Hum...ele cheirava bem. Loção de barba, sabonete e um tom terroso e másculo que se fosse engarrafado se chamaria Homem nº 5. Irresistível.

“Você parece muito nervosa, encontro quente?”

Ele começou a ocupar muito espaço e eu gosto de flertar com o perigo, não de pular do 15º andar sem para-quedas. Por mais cheiroso que ele fosse, e Deus como ele cheirava gostoso, eu não estava disposta a uma rapidinha com um desconhecido, no banco traseiro de um táxi!

“Volte para o seu lado! Eu estou estressada! E apesar de não ser da sua conta, eu não tenho um encontro quente e sim uma reunião de negócios, com um possível empregador e meu concorrente a vaga!”

Por que eu estava dando tantas explicações ao Sr. Ladrão de Táxis?

Ele não pareceu se mexer nem um milímetro. E por que seu cheiro parecia cada vez mais atraente? Eu me inclinei em direção ao motorista e reforcei:

“Por favor, você pode ir mais rápido? Eu realmente estou com pressa”

O motorista ignorou completamente meu pedido ou assim pareceu.

“Sabe, eu podia realmente resolver esse stress, já disseram que eu tenho mãos muito boas.”

Seu olhar era definitivamente erótico e ele flexionou os dedos sensualmente. Bom, hora de parar essa conversa.

“Você é abusado, além de idiota. Eu não tenho tempo para conversas de duplo sentido em bancos traseiros. Principalmente com alguém que eu não conheço.”

“Você tem uma mente maldosa, eu estava oferecendo apenas uma massagem. E quanto a não me conhecer, isso pode ser remediado: Prazer, Raul.”

Ele tinha cara de pau isso não dava pra negar. Olhei a mão estendida tentando me decidir se embarcava naquele joguinho ou se pedia ao motorista do táxi para parar na próxima esquina. Meu lado aventureira sempre vence essas discussões.

“Alice.”

Ele segurou minha mão por mais tempo do que o meramente educado e deixou ir com uma carícia leve na palma. Um arrepio de expectativa correu pela minha pele. Esse era um homem que sabia realmente como iniciar um jogo.

Sua mão pousou, quente e pesada próximo ao meu joelho e ele invadiu ainda mais o meu espaço. Os dedos longos envolveram suave e firmemente e aos poucos, lentamente começaram uma massagem. Eu olhei, preocupada em direção ao motorista, mas ele não pareceu preocupado com o que acontecia no banco traseiro do seu carro.

“Sabe, você tem uma pele irresistível”

Oh, Deus...como ele chegou tão perto? O braço esquerdo deslizou por sobre o banco, o direito continuou sua aventura em direção a minha coxa, até ser detido pela barra da saia que eu vestia. O sussurro morno e sensual em minha orelha, o cheiro intoxicante e o toque hipnótico em minha coxa eram ataques demais aos meus sentidos. Um único dedo deslizou abaixo da barreira da saia. A boa menina que vive em mim agarrou o pulso parando o ataque sensual.

Ele não forçou, mas não recuou também, o movimento circular, tantalizante permaneceu, oferecendo mais, pedindo entrada.

“Faltam dez minutos até o hotel...você tem certeza que não gostaria de uma massagem? Eu posso deixar você muito mais relaxada...”

Eram só dedos certo? Em dez minutos eu nunca mais o veria. Uma parte de mim pensava no absurdo da situação a outra parte estava intoxicada pelo cheiro, pelo som da voz, por aquele dedo diabólico.

“Não me tente...” Eu quis dizer o quanto andei vulnerável, o quanto minha carreira havia exigido de mim...

“Ceder as tentações nem sempre é um pecado, Alice.”

Eu sabia que estava perdida. Coloquei a revista em cima do meu colo relaxei contra o encosto. Que mal havia? A mão em minha coxa deslizou suave em direção ao objetivo. Com firmeza afastou minhas coxas e um dedo curioso e quente encontrou o tufo pequeno de pelos.

“Menina má...nenhuma calcinha” A voz era metade diversão, metade sensualidade.

“Bagagem...perdida...precisei...” Era difícil coordenar voz e pensamento com aquele dedo brincando em minha pele. Eu devia estar envergonhada da minha figura: pernas afastadas, saia levantada, nos braços de um desconhecido, no banco de trás de um táxi. Mas eu precisaria pensar para poder estar envergonhada e isso era impossível no momento.

Ele continuou a deslizar aponta do dedo de cima abaixo, lentamente, muito lentamente, irritantemente lento. Eu descansei minha cabeça no ombro dele, tomando banho no cheiro maravilhoso daquela pele, nariz enterrado em seu pescoço logo abaixo da orelha e tive o pequeno prazer de lhe arrancar um gemido.

“Nós só temos dez minutos” Eu reclamei e confesso que ainda me envergonho um pouco do tom faminto que existia na minha voz.

“Na verdade, só oito”

Era exasperante que ele tivesse ainda tanto auto controle. Eu quis fazer algo, obrigá-lo a ceder, fazê-lo se sentir tão fora de controle como eu estava, mas a úncia coisa que pude foi reclamar de novo.

“Então se apresse!”

Ele riu, baixo e gutural, mas fez o que eu queria. O dedo explorador mergulhou fácil em meu interior úmido e disposto. Meu corpo inteiro era um fio de alta tensão. Não sei se era o homem ou o ambiente. O desejo de fazer algo proibido e totalmente desavergonhado. Mas eu gemi, alto, sem vergonha e nem um pensamento para o motorista no banco da frente. Meu quadril como por vontade própria se levantou na direção do delicioso invasor.

“Mais...” Cabiam tantas coisas nessa palavra...

Ele manteve o ritmo lento, como se não estivéssemos no meio do trânsito a cinco minutos do nosso destino e nem houvesse qualquer audiência. Eu me senti vulnerável, exposta, mas tão desejada, tão quente e necessitada que tudo mais se apagou da minha mente. Minha única busca era prazer. Real e verdadeiro, honesto e simples prazer.

Eu finalmente fui apresentada ao resto de sua mão deliciosa que sem cerimônia engolfou o resto de mim, seu polegar, tão arteiro e curioso quanto o indicador, encontrou meu clitóris e minha ansiedade atingiu níveis estratosféricos. Nada mais me preocupava ou me limitava. Montei aquela mão em busca do prazer que estava só ali, a segundos de distância.

“Isso, pequena, tudo seu, tudo só para você...”

Sua voz era um afrodisíaco potente, as bobagens sussurradas em meu ouvido sobre como ele adoraria estar enterrado em mim, como eu era quente e macia e bonita naquele momento. Eu sei que gemi alto, que implorei também, que pedi para que fosse mais rápido ao mesmo tempo que queria que nunca acabasse. Até que tudo se desfez em prazer branco, ofuscação. Meu corpo zumbiu, tremeu e tomou tudo que ele tinha para dar, sem medo e nem vergonha.

Aterrizei ainda trêmula, corpo vibrando e um pouco suado, pernas fracas, visão turva e desfocada. Aquele homem devia ter uma placa de advertência em seu peito. Ele beijou meu pescoço, naquela região sensível logo abaixo da orelha, golpe baixo no estado em que eu me encontrava.

“Nós chegamos.”

E então eu percebi que o táxi estava parado. O motorista fazia um tremendo esforço para não encarar nenhum de nós dois pelo espelho retrovisor enquanto esperava que nos decidíssemos a descer. Uma ponta de vergonha quis aparecer, mas eu a desprezei. Arrumei minha saia e ajeitei o cabelo e quando me preparava para dizer algo a Raul, se é que existe uma etiqueta para encontros furtivos no banco traseiro de táxis, ele desceu e deu a volta para abrir minha porta. Olhei interrogativamente naquele rosto, naqueles olhos que exibiam um brilho moleque e profundamente divertido. Ele me estendeu a mão e me convidou a descer. Talvez fosse a ofuscação do momento, mas eu segui dócil e tomei a mão estendida até estar lado a lado na calçada. Ele pagou e dispensou o motorista. Então, ainda com o mesmo olhar brincalhão me convidou:

“Vamos entrar? Estamos atrasados para o jantar e não é muito bom deixar o chefe esperando...”